sexta-feira, 4 de setembro de 2015

História e Alienação

História e Alienação

Um discurso pastoral da fé para o dia a dia, a partir da concepção da missão integral de Deus usará a interdisciplinariedade como instrumento de análise da realidade, por tratar-se de uma abordagem voltada para a história, para o que nos acontece aqui e agora. Deus, no discurso da fé, a partir da concepção da missão integral de Deus, é visto a partir do manifesto na história. Como ser eterno, a Trindade existe antes e para além da história. Isso, porém, não impede que o Eterno reivindique para si a história, que a assuma e a conduza. É na história que Deus se mostra a nós, porque não podemos transcendê-la nem dela escapar. O que quer que nos aconteça ou nos seja revelado é na história que acontece e é nela que se revela. Nem podemos nos imaginar fora da história! E não só não nos imaginamos fora dela como também não nos conhecemos a não ser como seres históricos, portanto, dependentes.

A manifestação de Deus na história, porém, é libertadora. Quando aparece a Abraão, ele diz: "Sai da casa do teu pai, da tua parentela e vai para a terra que eu te mostrarei. De ti farei uma grande nação, abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra" (Gn 12:1-3)

Esse é o projeto, o propósito. O propósito não é apenas Abrão. O propósito é abençoar “todas as famílias da terra”. Nesse texto, vemos a ação libertadora de Deus. Qual é a benção de que precisam as famílias da terra? Não é outra senão a libertação. É libertação em todos os sentidos. O que acontece com as famílias? Elas encontram-se alienadas. De Deus e de si mesmas e das demais. Quem está alienado de Deus também alienou-se de si mesmo e de todos. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Mas a queda provocou uma fratura nessa imagem, distorceu-a, obliterou-a. Com a queda, perdemos a referência do que é ser gente. Deus era nossa referência. Ao nos alienarmos dele, nos alienamos de nós mesmos. Marcados pela consciência de incompletude, de falta de propósito, perdemos o sentido da nossa existência. Isso é o que significa estar alienado. Com estas citações vistas em rede social:

“1 - Não faço exercícios, mas ligo para meus melhores amigos sempre e penso mais do que devia.

 2 - Como muito sal e minha vida, ainda assim, anda tão sem  
  gosto.                       

 3 - Devoro barras e barras de chocolate e ainda não tenho um doce   amor.

4 - Fumo. E a fumaça não traz o gênio da lâmpada.

5 - Tenho muitos sonhos, pedidos, desejos, reparações, reclamações e dúvidas. Estou viva!

6 - Bebo, afinal, o álcool tem que fazer o seu papel.

7 - As vezes tenho inveja, mas espio pela janela, a luz acesa do vizinho e noto que a grama dele não é mais verde que a minha...

8 - Sou pró ativa, dinâmica e trabalho em equipe. Afinal, temos que pagar nosso aluguel.

9- Tenho mais de 30, já plantei uma árvore e escrevi algumas coisas malucas. Quanto a filhos? Talvez eu adote um menino negro quando as coisas melhorarem...

10- Se sou feliz? Moro em São Paulo! Que isso significa? Código de barras!”


Assim como existe uma história da salvação, existe também uma história da alienação.  “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se evergonhavam”(Gn 2:24-25). 

“Então, a serpente disse à mulher: é certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal (Gn 3:4-5)”. “Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus , o homem e sua mulher, por entre as arvores do jardim.” (Gn 3:7-8). 

“E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da arvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida (Gn 3:17).

 “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.(Gn3.15)

Por que estamos alienados? Essa é a grande pergunta. E qual é a intensidade dessa questão? 
Estamos alienados porque nós rompemos com Deus. Houve uma rebelião no universo, nós rompemos com Deus e a ruptura se tornou o nosso modo de vida. Nós fomos cooptados para a rebelião instaurada por um grupo de anjos, nós rompemos com Deus, e a nossa ruptura com Deus inaugurou uma forma de viver. Mais do que uma forma de viver, uma forma de ser. Nós nos tornamos pessoas em estado de ruptura. Estamos em ruptura com o planeta, com Deus, conosco mesmo e com o próximo. Por quê? Porque quebramos a aliança com Deus. Ao quebrarmos a aliança com Deus, nós quebramos a aliança com o universo. 

Por quê quebramos a aliança com Deus? O que nós estávamos buscando ser? Nós estamos buscando ser auto referentes. O adversário nos disse o seguinte : “o dia que vocês comerem do fruto da árvore da morte, do conhecimento do bem e do mal, vocês não vão precisar de Deus para saber a diferença entre o bem e o mal, vocês mesmos decidirão, vocês serão a sua própria referencia”. O problema todo, é que quando nós comemos da árvore da morte, e nos decidimos ser auto referentes, nós entramos em estado de guerra. 

Nós entramos em estado de guerra com Deus, porque agora, o que Deus acha, não interessa, pois nós é que somos auto referentes, nós é quem vamos decidir o que é o bem e o que é o mal, então o que Deus pensa, não interessa. 

Mas nós também entramos em estado de guerra uns com os outros, porque o que eu digo que é bem, você pode dizer que é mal. O que eu digo que é mal, você pode dizer talvez! E quem estabelece essa ordem? Quem decide?

Estamos em estado de guerra, e isso acontece, muitas vezes, dentro da própria família. O que é a crise em muitas famílias, se não o fato de que todos são auto referentes? 

Nós precisávamos disso? Não! Nós sabíamos a diferença entre o bem e o mal. Se alguém fosse nos visitar lá no jardim do Eden e nos perguntasse o que poderíamos fazer ali, responderíamos que poderíamos fazer tudo, menos comer daquela árvore. Nós sabíamos a diferença entre o bem e o mal. Sabíamos a diferença entre o certo e o errado. E mais, o adversário nos disse que se comêssemos da arvore da morte seriamos semelhantes a Deus. Mas semelhantes a Deus, nós já éramos! Então, nós sabíamos, e nós já éramos. A questão era se alguém nos perguntasse “como você sabe o que pode, e o que não pode”? “Deus!” Seria a resposta. Deus é quem nos informa o que devemos, e o que não devemos, Deus é a nossa referência. E o inimigo chega e diz: “Vocês não precisam de Deus”. E nós nos tornamos seres em estado de guerra.

Ao nos tornarmos seres em estado de guerra, perdemos muito. Perdemos a unidade humana. O próximo, virou o outro. Antes de comermos da árvore da morte, homem e mulher estavam unidos. Estavam unidos como uma só carne, como a Trindade é, e estávamos mutuamente expostos. A frase, “estavam nus e não se envergonhavam” significa que o casal não conhecia mediação entre si. Que um se expunha ao outro sem medo. Que tudo entre um e outro era absolutamente claro, não havia o que esconder. Eles se viam como um, porque quando o homem recebe a mulher, ele não diz “ela é o outro”, ele diz, “ela sou eu!” A unidade era perfeita. Estávamos em perfeita unidade entre nós, com Deus e com a criação. 

Perdemos a unidade humana, e o próximo virou o outro, e o outro virou o diferente , e o diferente virou o inimigo. Nós nos perdemos. Nós nos perdemos de nós mesmos, nós nos perdemos do outro, nós nos perdemos de Deus. Nós perdemos a unidade humana. E aquilo que era límpido, ficou absolutamente difuso, estranho e bizarro. 

O homem e a mulher passaram a se esconder um do outro, agora, eles não sabiam mais quem eram. Não sabiam mais o que estavam expondo e a quem estavam se expondo. Eles tinham perdido, inclusive, a sua identidade. Agora eles estavam em uma situação absolutamente complexa, pois não só perderam a comunhão, mas perderam a identidade que nascia justamente daquela comunhão perfeita. E entraram em um estado de disfuncionalidade. Entramos em crise de identidade, porque nós simplesmente nos perdemos da nossa sexualidade. Agora o masculino não sabia mais ser masculino nos papéis que teria de desempenhar. Não sabia mais ser masculino quando o papel é pai, irmão, tio, sobrinho, filho, amigo… E o feminino, também, não sabia mais ser feminino nos vários papéis que teria de desempenhar. 

Agora temos um clamor todo contra o abuso. Por quê? Por causa da disfunção! Tem uma disfunção na humanidade, o masculino não sabe mais se portar como masculino nos seus diversos papéis, o feminino não sabe mais se portar como feminino nos seus diversos papéis.  

A disfuncionalidade, é o resultado da ruptura com Deus, com o próximo, com a família  (que, antes, era a extensão natural ao ser humano). Aquela que deveria ser a extensão do masculino se tornou "o outro", o diferente, o estranho, o bizarro, o inimigo, e vice-versa. Ao invés de estarmos expostos, abertos, nos fechamos. Nos fechamos e nos escondemos de Deus, nos escondemos do cônjuge, que deveria ser extensão de nós mesmos, e, no final das contas, nos escondemos de nós, porque perdemos a nossa identidade. Entramos em um estado de disfuncionalidade. 

Nesse estado de disfuncionalidade, nós passamos a ter medo de Deus, e Deus, passou de Criador a juiz. Deus, amigo, querido, criador, que informava tudo o que nós precisávamos saber, que cuidava de nós, que nos deu autoridade sobre o planeta, que nos deu um modelo de governo. Deus, que se encontrava conosco todas as tardes, que segredava ao nosso coração os seus sonhos, os projetos que Ele tinha e os que nós podíamos ter, e nos estimulava a ter nossos próprios projetos... Essa comunhão desapareceu. Deus se tornou o nosso juiz, não porque Ele tenha se tornado, mas nós passamos a vê-lo assim. Nasceu na humanidade uma desconfiança em relação a Deus, uma percepção de que Deus está nos condenando, que não está contente conosco. 

Por isso, estamos em estado de alienação. Nós perdemos muito, inclusive, passamos a ter medo do outro. Quando o homem foi checado por Deus, ele imediatamente descobriu um culpado, que não ele: “foi a mulher!” Ontem ele disse “ela sou eu”, hoje ele está dizendo, “não tenho nada a ver com ela”. Passamos a ter medo do outro, a usar o outro como álibi, como inimigo, como adversário, como culpado. É um nível de ruptura profundo.

Qual a implicação? Implica que estamos todos em estado de solidão, em maior ou em menor grau. Pois não dá para compartilhar, para conviver, para confiar, para se expor, é uma crise profunda de comunidade. Estamos alienados e precisamos voltar. Precisamos voltar para Deus, para nós mesmos, para o próximo, para a unidade, para a família, para o propósito da nossa existência. 

Estamos em estado de alienação porque rompemos com a Terra. Nos tornamos de jardineiros, predadores. Nós éramos jardineiros, o Senhor nos deu autoridade sobre o planeta, nos deu a possibilidade do governo, entregou tudo nas nossas mãos, nos deu um modelo. Porque Deus criou um jardim para nós, e o jardim é o modelo perfeito, pois é um modelo comunitário. A beleza do jardim é fruto da harmonia, não é a mera soma dos componentes do jardim. A beleza do jardim é aquele encontro, aquela harmonia, aquela cumplicidade. Aquilo é o que torna o jardim belo ,na verdade ,é o que torna Jardim. O jardim é absolutamente solidário,a chuva, o sol , os nutrientes, precisam ir para todos. Se um dos componentes do jardim murcha, o jardim inteiro murcha também. A beleza do jardim depende da viçosidade de todos. O jardim é comunitário, solidário e sacrificial, pois todos tem de passar por poda, pois sem poda, não haverá jardim.Precisa ter uma forma identificável, perceptível da qual todos fazem parte e na qual todos brilham. Brilham em comunidade, em comunhão, e por comunhão. 

Estamos em estado de alienação: era para sermos jardineiros e, ao mesmo tempo, parte do jardim. Nos tornamos os predadores da Terra. Se a Criação pudesse fazer uma oração ao Pai, ela diria “Erradique  os homens da face da Terra, extinga a raça humana, pois esses seres são egoístas, estão nos devorando, se o Senhor não extingui-los um dia não haverá terra para ninguém, e o Senhor não verá mais o que o Senhor criou. Eles vão conseguir destruir.” 

Estamos alienados porque nós rompemos com a vida. Antes, o Senhor garantia-nos a não mortalidade. Nós não iríamos morrer, o corpo nunca iria se separar do espirito, e o espirito nunca iria se separar do corpo. É muito interessante porque, entre os nossos debates, muitas vezes aparece a questão do espirito, corpo e alma, mas sabe por quê isso? Porque a gente morre. Pois se nós não morrêssemos, nós nunca nos imaginaríamos sem espirito. A gente pergunta o que vai acontecer, porque a gente sabe o que acontece. A gente morre, porque nós rompemos com a vida. Quando Deus olha para nós e vê o potencial maligno e tudo o que isso significa, ele diz: ‘vocês têm que morrer’.


Ao nos rebelarmos contra Deus, renunciamos à sua tutela e comprometemos de forma irremediável nossa finalidade como seres humanos. Numa palavra, perdemos nosso telos. A perda do senso de finalidade nos obriga a construir um substituto para o que se perdeu. A história da raça humana pode ser vista como uma odisséia em busca de um novo telos. Quem somos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? Essas são, em última instância, as questões que nos remetem ao problema fundamental do sentido da nossa existência. A queda vetou-nos o caminho para chegarmos às respostas. Sem Deus, estamos condenados à ignorância e ao desespero. Com a capacidade de responder a essas perguntas, perdemos também o sentido de finalidade. Perdemos nossa teleologia, nosso senso de propósito.

As alternativas são: ou renunciar, como os existencialistas o fizeram, a qualquer esperança de encontrar um propósito para a vida, ou procurá-lo ora no prazer (hedonistas), ora na felicitas (idealistas românticos), ora no autodomínio (estóicos), e assim por diante. Na história do pensamento ocidental, cada movimento ou escola propôs um sentido para a nossa existência. 

Embora honestas, as respostas filosóficas à questão “por que existimos?” nunca lograram apagar por completo o anseio humano por uma verdade unívoca, cabal e insofismável. O senso de finalidade é o que nos permite dar o próximo passo, porque precisamos saber em que direção iremos, onde chegaremos, o que, afinal, nos espera do outro lado da ponte. A menos que tenhamos um telos pelo qual nos guiarmos, tudo que fizermos, sonharmos ou construirmos permanecerá incompleto, imperfeito, vazio de sentido.

Voltemos para o nosso ponto de partida: o estado de alienação do ser humano. Estar alienado é não ter propósito, é estar à deriva, sem rumo e sem esperança. Deus entra na história para nos libertar desse estado de alienação, para nos devolver o senso de finalidade que perdemos com a queda. É como libertador que Deus se revela a Abraão. Ele diz: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Quando isso vai acontecer? Onde? Como? Na história. Ou melhor, durante essa e a outra fase da história. A lógica aqui é que só seremos afetados quanto a outra fase da história, se o formos afetados, também, durante essa fase. Uma coisa condiciona a outra. 

Quando os cristãos pregam o Evangelho, eles se amparam na certeza de que a história tem uma finalidade: Deus hipotecou sua palavra de que, independente de tudo que possa acontecer, há, para a existência, propósito. Há um folheto, muito usado para evangelizar, que mostra as “razões” por que as pessoas não têm tempo para Deus: jovem demais, ocupado demais, velho demais, e assim por diante. No último item da lista, há um “tarde de mais” acompanhado da figura de um túmulo. Isso ilustra, ainda que de modo simples, como a história nos afeta.

Nossa crença é a de que nada acontece fora da história e tudo que nela acontece nos afeta. Nosso destino é, portanto, o destino de Deus para a história. Resta-nos indagar qual é o projeto de Deus. Deus entra na história para nos libertar, porque a libertação só pode acontecer na história e não em uma esfera supra-natural, etérea, desconectada do aqui e agora. Deus se manifesta como libertador na história. Ele vem para nos libertar da alienação, dele e de nós mesmos, o que acaba por ser uma e a mesma coisa, porque Deus é a fonte e a razão da nossa existência. Perdemos o senso de finalidade e Deus vem nos devolvê-lo. Um discurso da fé a partir da concepção da missão integral de Deus ligar-se-á, necessariamente, à história. Todo discurso de fé que se desconecta da história é irrelevante para o ser humano.

É preciso repetir que um discurso de fé sem perspectiva histórica é irrelevante. Ela não muda a forma como as pessoas vivem. Não muda o modo como as pessoas se relacionam umas com as outras. Um discurso da fé a partir da concepção  da missão integral de Deus, por sua vez, reconhecerá e proclamará que o Deus libertador é o Deus que entra na história e convoca os homens param transformá-la. Nossa libertação começa aqui e agora,  e encontra seu desfecho na nova Jerusalém. Mesmo aqui a história não é negada. Antes, é nesse evento que ela encontra sua "raison d’être". 

No discurso da fé a partir da concepção da missão integral de Deus, se considera que uma nova ordem foi invocada. Os cristãos anunciam um novo rei, Jesus Cristo, e um novo reino, o dos céus. Há nessa crença algo de revolucionário, contestador. Ela reclama uma nova ordem. E se há uma nova ordem, há um novo propósito, uma nova maneira de viver, de se conduzir, de pensar e de agir.

Toda ética se sustenta a partir de um fim, de um telos. Nesse sentido, toda ética pressupõe uma teleologia. Se não há finalidade, não há ética, porque a ética fala do caráter, da natureza das coisas. E, em última análise, a natureza das coisas é decidida pela finalidade delas. A ética é, por assim dizer, uma rubrica da teleologia. Neste caso, o fim impõe os meios. Essa é, então, a idéia que está implícita na visão do Deus libertador. Deus vem para “desalienar” o ser humano, resgatar sua teleologia, e, portanto, sua ética, sua moral, seu comportamento. A libertação que Deus traz para o ser humano muda sua história e sua ética. É um novo começo, uma nova vida, um novo propósito. A revelação de Deus é conseqüente com o seu projeto de libertação. Toda revelação é, portanto, libertadora.  Se Deus é libertador, sua revelação também o é. O que queremos dizer com isso é que Deus não dá informação de graça. Ele não faz sua autoproclamação pura e simplesmente. Sua revelação é, portanto, repetimos, libertadora.